Ordenação sacerdotal de Dom Tomás de Aquino

domingo, 8 de outubro de 2017

Comentários Eleison DXXXIV (534) - A Fé é Crucial

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei
07 de outubro de 2017

Deus quer que somente na Verdade eu creia,
Quando Ela é subvertida as almas podem perder-se.


      A grande lição ensinada pelo Arcebispo Lefebvre (1905-1991) aos católicos que tiveram ouvidos para ouvir é que a Fé é superior à obediência. A triste lição que aprendemos desde então é que a obediência continua sendo mais enaltecida do que a Fé. Estes “Comentários”, que a confusão de hoje faz com que continuamente tenham de voltar ao básico, vêm tentando muitas vezes explicar por que a Fé deve vir em primeiro lugar. Uma nova tentativa de um ângulo ligeiramente diferente não será demais.

      Todo ser humano vivo na Terra – e não apenas os católicos! – tem uma alma imortal sem a qual não estaria vivo. Essa alma não foi produzida em massa, mas foi criada individualmente por Deus, do nada, para que seja feliz com Ele no Céu para sempre. Ela é a parte mais importante da natureza humana; por isso pertence à ordem natural, não sendo em si mesma sobrenatural, mas chegará ao Céu sobrenatural de Deus se fizer reto uso de sua faculdade natural de livre-arbítrio para cooperar com a graça sobrenatural de Deus. Sua graça não faltará, seja qual for a forma em que Ele opte por oferecê-la, porque quer que todas as pessoas vão para o Céu (I Tm II, 4). A questão passa a ser, então, a seguinte: que cooperação humana é necessária – e não apenas dos católicos – para chegar ao Céu?

      A Fé é, sem dúvida, a base dessa cooperação. O Concílio de Trento chama Fé “o princípio da salvação”, e a Palavra de Deus diz que “sem a fé é impossível agradar a Deus” (Hb XI, 6). Muitas vezes nos Evangelhos, quando Nosso Senhor realiza um milagre, Ele diz que é a recompensa da “fé” dos interessados, por exemplo Mt XV, 28 (cura da mulher cananeia), Mc X, 52 (visão para um cego), Lc VII, 50 (conversão de Maria Madalena), e assim por diante. No que então consiste essa “fé”, e por que ela é tão preciosa para Deus e, portanto, para as almas?

      Distingamos imediatamente duas realidades, diferentes, mas conectadas: a qualidade subjetiva da fé na alma, pela qual alguém sobrenaturalmente crê, e o corpo objetivo de realidades sobrenaturais, objetos da Fé Católica, em que o católico crê. Para distingui-las, devemos empregar na primeira um “f” minúsculo, e na segunda um “F” maiúsculo. Que elas são distintas é óbvio: um homem pode perder sua fé (subjetiva) sem que se produza a menor mudança na Fé (objetiva).

      Duas coisas tornam-se claras então. Em primeiro lugar, a fé que salva uma alma é essa qualidade subjetiva da pessoa que Nosso Senhor elogia e recompensa nos Evangelhos. Ele não elogia ou recompensa um corpo objetivo de verdades. Por outro lado, em segundo lugar, a qualidade subjetiva da fé é determinada ou especificada pela Fé objetiva. Não estou salvo, não mereço ser elogiado ou recompensado por crer em qualquer absurdidade tola. A mulher cananeia não creu em nenhuma tolice, ela certamente creu na vontade e em algum poder divino de Nosso Senhor. Aquilo em que ela creu era não só sobrenatural, ou algo que estava acima dos poderes meramente naturais do sua mente para entender e acreditar, como verdadeiro. E, provavelmente, assim que os Apóstolos começaram a estabelecer, logo após a ascensão do Senhor ao Céu, as verdades básicas em que um seguidor de Nosso Senhor deve crer, ela ficou feliz por ter sua fé subjetiva focada e especificada, ou determinada, pela então emergente Fé objetiva.

      Em outras palavras, a Fé objetiva focaliza essa fé subjetiva sem a qual nenhuma alma é salva. Portanto, os clérigos que manipulam a Fé objetiva estão colocando em perigo a salvação eterna das almas. Se, então, a fé subjetiva é de valor inestimável, assim o é a Fé objetiva. Esta deve vir primeiro.

      Kyrie eleison.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Comentários Eleison DXX (520) - Antecedentes do Matrimônio



Por Dom Richard N. Williamson
1º de julho de 2017

Elias obrigou os Israelitas a escolher.
O Concílio ou o Deus verdadeiro – qual recusarei?


      Em razão do pecado original, não é fácil manter um homem e uma mulher unidos no casamento até que a morte os separe, mas este foi o projeto original de Deus para os seres humanos desde o início da Criação, o qual permanece. No entanto, no momento em que Ele instituiu a Lei do Antigo Testamento através de Moisés, teve de fazer certa reserva para o divórcio, "por causa da dureza dos corações dos homens" (Mt. XIX, 7-8). Mas não era assim que Deus queria que o casamento fosse, e, então, quando Nosso Divino Senhor instituiu o Novo Testamento, por um lado aboliu todo o divórcio, enquanto, por outro lado, fez do casamento um dos sete canais especiais da graça santificadora, um dos sacramentos sobrenaturais, para que todas as almas que entram em Sua Igreja tenham acesso a uma ajuda sobrenatural especial na união de seus casamentos.

      Também não estão simplesmente o homem e a mulher envolvidos em seu casamento. A educação adequada das crianças exige tanto o pai (biológico) quanto a mãe (biológica), e normalmente exige que os dois permaneçam juntos para fornecer um lar completo e estável. Além disso, a saúde da sociedade como um todo exige que as crianças saudáveis possam crescer como adultos saudáveis. Assim, se a cristandade já alcançou alturas sem precedentes de civilização, foi em muito devido, se pensarmos nisso, à força do casamento católico. Seguir-se-ia que o Diabo está constantemente atacando o casamento natural e católico como um meio importante para ele de quebrar a cristandade e de enviar todas as almas para o inferno.

      Em nosso próprio tempo, o fracasso da cristandade pelo enfraquecimento da Igreja deu um grande passo adiante com o Vaticano II (1962-1965). Antes desse Concílio, as anulações católicas do casamento eram estritamente regulamentadas. Elas não eram divórcios, porque tinha de ser provado na frente de juizes eclesiásticos que por algum motivo sério o contrato de casamento tinha sido inválido desde o início, de modo que um casamento válido nunca tivesse ocorrido. Mas desde o Concílio, esse rigor tem vindo a abrir caminho para o laxismo, de modo que, a partir de exceções, anulações se tornaram em alguns países a regra, isto é, trata-se de "divórcio católico". Portanto, quando o Arcebispo Lefebvre fundou sua Fraternidade Sacerdotal São Pio X para resistir à decadência conduzida pelo Vaticano II, naturalmente sua Fraternidade evitou anulações fáceis e fez tudo o que pôde para ajudar os casais católicos na sociedade dissolvente de hoje a estabelecer um casamento no qual se mantivessem unidos.

      Infelizmente, os sucessores do Arcebispo à frente de sua Fraternidade vêm trabalhando há 20 anos de maneira disfarçada, mas tenaz, para se juntarem à Igreja Conciliar, abandonando sua resistência ao Vaticano II. Isto significa que quando há três meses o Papa conciliar autorizou os bispos conciliares a delegar seus sacerdotes conciliares a participar ativamente dos casamentos celebrados dentro da Fraternidade, por um lado, a sede da Neo-Fraternidade saudou a decisão como um excelente presente de Roma, anunciando que esta decisão papal alteraria a prática matrimonial da Fraternidade, enquanto, por outro lado, sete sacerdotes seniores no Distrito Francês da Fraternidade protestaram publicamente contra a interferência conciliar de Roma na prática católica. A sede rebaixou prontamente todos os sete contestadores e também demitiu o autor do protesto.

      Assim, a guerra entre liberalismo e catolicismo aumenta. Três dos sete contestadores mantêm sua posição. Em resumo, como um deles escreveu, qualquer bispo conciliar pode agora enviar um sacerdote a um casamento da Fraternidade – e como um tal sacerdote será enviado de volta, depois de ter sido tão bem recebido pela sede? Ou o bispo pode recusar um padre – mas isso é apenas um afortunado acidente, deixando intacto o perigoso princípio da interferência conciliar. Ou o bispo tem permissão para delegar um sacerdote da Fraternidade – mas isso é susceptível de dar origem a qualquer Priorado da Fraternidade aos casamentos tanto conciliares como não conciliares, com relações falsas, para não dizer, em guerra, entre os dois. O conciliarismo e o catolicismo não podem ser misturados nem reconciliados um com o outro.

      Kyrie eleison.

Comentários Eleison DXIX (519) - Fátima é Crucial II



Por Dom Richard N. Williamson
24 de junho de 2017


Os homens da Igreja fazem guerra a Fátima – baldamente.
Satanás será derrotado, novamente.


      Na semana passada, estes “Comentários” argumentaram que, se a Igreja e o mundo tivessem somente prestado atenção à grande mensagem de Nossa Senhora transmitida através das três crianças de Fátima, Portugal, em 1917, o mundo poderia ter sido poupado do desastre material da Segunda Guerra Mundial, e a Igreja poderia ter evitado o desastre espiritual muito maior do Concílio Vaticano II. Mas, em 1960, que foi o ano em que, o mais tardar, Nossa Senhora desejava que a terceira parte do Segredo dada às crianças em 1917 fosse revelada, ao invés disso, os clérigos a engavetaram, muito provavelmente porque condenava antecipadamente o desastroso Concílio pelo qual seus corações ansiavam. E, desde então, os mesmos clérigos conciliares fazem guerra à Fátima, para impedir que os condene.

      No entanto, os fiéis católicos sabiam da existência do “Terceiro Segredo”, e queriam saber o que dizia. Nos próximos 40 anos, alguns detalhes de seu conteúdo vazaram aqui e ali, e especialmente graças ao trabalho do padre Nicholas Gruner, a pressão para sua publicação aumentou. É por isso que, em 2000, os clérigos de Roma fizeram um esforço especial para enterrar Fátima de uma vez por todas. Como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal Ratzinger publicou um texto que ele afirmou ser o Terceiro Segredo de Fátima. Infelizmente, os especialistas de Fátima viram imediatamente sérias diferenças entre o texto do Cardeal e o que se sabia do verdadeiro Terceiro Segredo, esperado desde 1960. Eles suspeitaram que o verdadeiro Terceiro Segredo ainda estava trancado dentro do Vaticano.

      O que confirmou essa suspeita foi o fato de que, mais tarde, no mesmo ano de 2000, o mesmo Cardeal disse a um amigo pessoal (e um santo sacerdote), o Dr. Ingo Dollinger, que "o que publicamos não era todo o segredo. Nós agimos sob ordens”. Nos anos seguintes, o Dr. Dollinger contou a história da admissão do Cardeal para que muitos sacerdotes, seminaristas e leigos a ouvissem. Mais recentemente ele confirmou a história mais uma vez, e deu permissão para que ela fosse publicada em 16 de maio de 2016. Mas a verdade sobre o Terceiro Segredo não podia deixar-se sair. Confira onepeterfive.com/confirmation-father-dollingers-claim-cardinal-ratzinger-fatima. Dentro de dias (21 de maio), o Vaticano divulgou uma Declaração de Imprensa que citou o Papa Bento XVI, o ex-cardeal Ratzinger, dizendo que nunca falou com o Dr. Dollinger sobre Fátima, e que todo o Terceiro Segredo foi tornado público! Obviamente, a Roma Conciliar fará tudo para sufocar Fátima, mas Fátima não será sufocada.

      Em onepeterfive.com/chief-exorcist-father-amorth-padre-pio-knew-the-third-secret, na Internet, veja detalhes de uma entrevista dada em 2011 pelo famoso exorcista de Roma (mas não Conciliarista), o Padre Gabriele Amorth, que queria que a entrevista fosse divulgada somente após sua morte, o que aconteceu no ano passado. O Pe. Amorth conheceu o Padre Pio por 26 anos, e o entrevistador perguntou ao Pe. Amorth se, em uma conversa realizada com o Padre Pio em 1960, este relacionou o Terceiro Segredo à perda de fé na Igreja. Padre Pio respondeu com muita tristeza: "Sabe, Gabriele? É Satanás que foi introduzido no seio da Igreja, e dentro de muito pouco tempo virá a governar uma Igreja falsa”.

      Mais recentemente ainda, é o bravo Cardeal Burke que está entrando na briga em nome de Nossa Senhora de Fátima. Ele é um dos quatro cardeais que, no início deste ano, levantou sérias objeções ao documento papal Amoris Laetitia, sobre o casamento e a família. No dia 19 de maio, durante uma reunião do Fórum da Vida Romana, em Roma, ele fez um apelo aos católicos para que "trabalhem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria". Ele admitiu que João Paulo II fez uma consagração do mundo em 1984, mas, "mais uma vez, ouvimos o chamado de Nossa Senhora de Fátima para consagrar a Rússia ao seu Imaculado Coração, de acordo com suas instruções explícitas”. O Cardeal está certo. Que ele pelo menos nunca seja obrigado a engolir suas palavras!

      Kyrie eleison.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - nº 22






01 de julho de 2017



“Vox túrturis audita est in terra nostra”

(Cant. II, 12)



      Muitos homens eminentes já se perguntaram se os Papas conciliares são verdadeiramente Papas. Dom Lefebvre foi um deles. Mas perguntar-se é uma coisa; afirmar é outra. Dom Lefebvre não o afirmou. Ele não o afirmou porque ele não tinha as premissas que permitissem afirmar que os Papas conciliares não eram Papas. Se não se têm as premissas, a conclusão não se segue. Por isso, Dom Lefebvre não tirou esta conclusão. Nós também não a tiramos. Na dúvida, é melhor respeitar a posse de quem detém o cargo. A perda do pontificado é algo complexo. Os teólogos, o Direito Canônico, os Papas, a História, a Sagrada Escritura e o bom senso nos convidam a uma grande prudência na matéria. Esta foi a atitude de Dom Lefebvre, modelo de todos os que resistem ao modernismo e que trabalham para o triunfo do Cristo Rei. Sigamos seu exemplo.



+ Tomás de Aquino OSB



U.I.O.G.D